Um extenso levantamento realizado pela Pró-Genéricos, entidade que reúne os fabricantes de genéricos no Brasil, mostra que, nos próximos três anos, vão vencer patentes de 17 medicamentos no país - que hoje faturam, pelo menos, R$ 750 milhões.
Quando a patente expira, os medicamentos de marca têm grande parcela das vendas afetadas pela competição com os genéricos. A maioria dos vencimentos de patente ocorrerá em 2010, quando 12 drogas perderão a proteção. Na lista compilada pela entidade, estão medicamentos como o Lipitor, o remédio mais vendido no mundo, utilizado para o controle dos níveis de colesterol; o Viagra, a famosa pílula azul contra a disfunção erétil; o anti hipertensivo Diovan, um dos comprimidos que mais faturam no país, e o antipsicótico Zyprexa, um remédio com grande vendagem para o governo.
Essas marcas pertencem a grandes multinacionais farmacêuticas como Pfizer, Novartis e Eli Lilly. São alvos de cobiça dos laboratórios de genéricos. Antes mesmo de terminar o prazo legal de proteção da patente, que dura 20 anos, os fabricantes já estão prontos para colocar as versões genéricas no mercado. Assim que cai a exclusividade obtida com a proteção intelectual, o genérico entra no mercado. E os preços tendem a cair. "O valor de R$ 750 milhões é uma estimativa dos dados auditados no varejo farmacêutico. O número pode ser maior, explica o presidente da Pró-Genéricos, Odnir Finotti. "Faltam incluir, por exemplo, as vendas para governo.
Segundo estimativas da Pró-Genéricos, o Lipitor, que pertence à Pfizer, representa cerca de R$ 250 milhões do total de RS 750 milhões. A aquisição da americana Wyeth pela Pfizer por US$ 68 bilhões, nesta semana, foi interpretada por especialistas como uma forma de a empresa compensar a perda futura de receita do Lipitor com o fim de sua patente. A Wyeth é dona de um grande "pipeline" de medicamentos lucrativos no segmento de biotecnologia.
Com tanto interesse econômico por trás, os laboratórios de genéricos e multinacionais travam disputas legais em defesa dos interesses de cada segmento. "Os laboratórios multinacionais tentam esticar o prazo de validade de suas patentes", diz Finotti. Segundo ele, esse é o caso do Lipitor. Para a Pró-Genéricos, o vencimento da patente do Lipitor no país já tem data marcada e acontece em agosto deste ano. Para a Pfizer, dona da marca, o vencimento ocorre apenas em dezembro de 2010.
Fonte: Valor Econômico - SP