Hipertensão arterial
A hipertensão arterial é um dos principais problemas de saúde no Brasil. É responsável pelo aumento do custo médico-social, principalmente pelas suas complicações, como as doenças cérebro-vascular, arterial coronariana e vascular de extremidades, além da insuficiência cardíaca e da insuficiência renal crônica.
Atualmente, as doenças cardiovasculares são responsáveis por 27% das mortes. A hipertensão arterial é o principal fator de risco para desenvolvimento destas doenças.
Estima-se que em torno de 20% da população seja portadora de pressão alta no Brasil.
Apesar disto, a hipertensão arterial é uma doença com grande chance de prevenção e com tratamento eficaz.
O que é hipertensão
Hipertensão arterial ou pressão alta é uma doença caracterizada pela elevação anormal nos níveis pressóricos no interior dos vasos sanguíneos.
Sabe-se que o coração bombeia o sangue através das artérias irrigando todos os órgãos do corpo. Quando a pressão dentro das artérias torna-se elevada ocorrem danos progressivos a vários órgãos.
Hipertensão sintomas
De maneira geral, a hipertensão arterial é assintomática, ou seja, não apresenta sintomas até o quadro seja bastante grave ou após o surgimento de complicações.
Apesar disto, muita gente considera vários sintomas como sendo de pressão alta, tais como dor de cabeça, sangramento nasal, tontura, vertigem, ruborização facial e cansaço. Na grande maioria, o aparecimento destes sintomas é mera coincidência.
Embora as pessoas com uma pressão arterial elevada possam ter estes sintomas, eles também podem aparecer com a mesma freqüência em indivíduos com uma pressão arterial normal.
No caso de uma hipertensão arterial grave ou de longa duração que não receba tratamento, os sintomas como dor de cabeça, fadiga, náuseas, vômitos, falta de ar, agitação e visão borrada verificam-se devido a lesões no cérebro, nos olhos, no coração e nos rins.
Sonolência e até mesmo coma por edema cerebral podem surgir em pessoas com hipertensão arterial grave devido ao acúmulo anormal de líquido no cérebro. Este quadro, chamado encefalopatia hipertensiva, requer um tratamento urgente.
Hipertensão causas
Hipertensão arterial primária
Em torno de 95% das pessoas com pressão alta, a causa é desconhecida. Este tipo é denominado de hipertensão essencial ou primária. A hipertensão primária é tem como causa uma combinação de diversas alterações no coração, nos vasos sanguíneos e nos sistemas de regulação de líquidos e eletrólitos do corpo.
Uma combinação de fatores relacionados aos hábitos de vida e predisposição genética também estão entre as causas de pressão alta:
Obesidade,
Vida sedentária,
Estresse,
Consumo excessivo de álcool,
Consumo excessivo de sal,
O estresse tende a fazer com que a pressão arterial aumente temporariamente, mas, de um modo geral, regressa à normalidade uma vez que ele tenha desaparecido. Isto explica a “hipertensão do jaleco branco”, quando uma ida ao consultório do médico faz com que a pressão arterial suba devido ao nervosismo.
Hipertensão arterial secundária
Quando a causa é conhecida, a doença denomina-se hipertensão secundária.
Principais causas de hipertensão arterial:
Renal
Estenose da artéria renal,
Pielonefrite,
Glomerulonefrite,
Tumores renais,
Doença poliquística renal,
Lesões do rim,
Radioterapia que afeta o rim.
Problemas hormonais
Hiperaldosteronismo,
Síndrome de Cushing,
Feocromocitoma.
Medicamentos e substâncias
Anticoncepcionais orais,
Corticosteróides,
Ciclosporina,
Eritropoietina,
Cocaína,
Abuso de álcool,
Alcaçuz (em quantidades excessivas).
Outras causas
Coarctação da aorta,
Gravidez complicada por pré-eclampsia,
Porfiria intermitente aguda,
Intoxicação aguda por chumbo.
Hipertensão diagnóstico
O diagnóstico da hipertensão é feito pelo médico após realizar no mínimo duas medidas da pressão arterial por consulta, na posição sentada. Na primeira avaliação, as medições devem ser obtidas em ambos os membros superiores. Em caso de diferença, utilizar sempre o braço de maior pressão. Recomenda-se que as medidas sejam repetidas em pelo menos duas ou mais visitas antes de confirmar o diagnóstico de hipertensão.
A medida na posição ortostática (de pé) deve ser feita, pelo menos, na avaliação inicial, especialmente em idosos, diabéticos, portadores de disautonomias, dependentes do álcool e usuários de medicação anti-hipertensiva.
A pressão arterial é constituída por dois valores: sistólica e diastólica. A partir de 140/90 mmHg é feito o diagnóstico de pressão alta.
Repouso de 15 minutos em ambiente tranqüilo.
Bexiga deve estar vazia (urinar antes).
Após exercícios, álcool, café ou fumo aguardar 30 minutos para medir.
O manguito do aparelho de pressão deve estar firme e bem ajustado ao braço.
Não falar durante o procedimento.
Aguardar de 1 a 2 minutos entre as medidas.
Crianças e pessoas obesas devem ser avaliadas com aparelhos de largura adequada.
Tratamento da hipertensão
A hipertensão arterial primária não tem cura, mas o tratamento previne as complicações. Antes de prescrever a administração de medicamentos, é recomendável adotar medidas que estimulem hábitos de vida saudáveis.
Prevenção e tratamento não medicamentoso da hipertensão arterial
Redução do peso
Porque existe relação direta entre peso corpóreo e pressão alta, é altamente recomendada a manutenção do peso ideal ou a redução do peso corporal. O peso ideal é medido pelo índice de massa corpórea (peso em quilogramas dividido pelo quadrado da altura em metros). IMC ideal entre 20 e 25 kg/m2.
Redução do sal
A dieta habitual contém 10 a 12g/dia de sal, valores acima dos recomendados para evitar a hipertensão. É saudável ingerir até 6 g/dia de sal correspondente a 4 colheres de café rasas de sal (4g) e 2g de sal presente nos alimentos naturais.
É possível reduzir o sal adicionado aos alimentos, evitando o saleiro à mesa e alimentos industrializados.
Maior ingestão de potássio
Pode ser útil na redução da pressão e prevenção da hipertensão arterial uma maior ingestão de potássio. Uma dieta rica em vegetais e frutas contém 2 a 4g de potássio/dia.
Os substitutos do sal contendo cloreto de potássio e menos cloreto de sódio (30% a 50%) são úteis para reduzir a ingestão de sódio e aumentar a de potássio.
Redução do consumo de bebidas
Para os consumidores de álcool, a ingestão de bebida alcoólica deve ser limitada a 30g álcool/dia, o que equivale a 600 ml de cerveja, 250 ml de vinho ou 60 ml de destilados (whisky, vodka, aguardente). Este limite deve ser reduzido à metade para homens de baixo peso, mulheres, indivíduos com sobrepeso e/ou triglicérides elevados.
Vida ativa
Existe uma relação inversa entre grau de atividade física e incidência de hipertensão. A prática de exercícios físicos de forma regular reduz a pressão.
Tratamento medicamentoso da hipertensão arterial
Diversos tipos de medicamentos reduzem a pressão arterial através de mecanismos diferentes.
É recomendado que os medicamentos sejam prescritos de forma seqüencial de acordo com a resposta do paciente ao tratamento. Prescreve-se um medicamento e, se não for eficaz, interrompe-se e administra-se outro. Por vezes, é necessária a associação de fármacos diferentes.
Ao escolher um medicamento anti-hipertensivo, o médico leva em consideração fatores como: idade, sexo e etnia do doente; gravidade da hipertensão; presença de outras doenças, como diabetes ou valores elevados de colesterol; efeitos colaterais prováveis e custos dos medicamentos.
Habitualmente, os fármacos anti-hipertensivos são bem tolerados.
Mas qualquer anti-hipertensivo pode provocar efeitos colaterais, que devem ser informados ao médico para que ajuste a dose ou mude o fármaco.
Medicamentos anti-hipertensivos
Diuréticos tiazídicos são, geralmente, os primeiros medicamentos utilizados para tratar a hipertensão. Os diuréticos ajudam os rins a eliminar sal e água e diminuem o volume de líquidos em todo o organismo, reduzindo desse modo a pressão arterial. Os diuréticos também dilatam os vasos sanguíneos. Estes medicamentos são particularmente eficientes em pessoas de etnia negra, de idade avançada, em obesos e em pessoas que sofram de insuficiência cardíaca ou renal crônica. Exemplos: hidroclorotiazida.
Bloqueadores adrenérgicos bloqueiam os efeitos do sistema nervoso simpático, reduzindo assim o efeito do estresse na pressão arterial. Os betabloqueadores são especialmente eficientes nos indivíduos de etnia branca, nas pessoas jovens e nas que sofreram um enfarte de miocárdio, que possuam ritmos cardíacos acelerados, angina de peito ou enxaqueca. Exemplos: propranolol, atenolol.
Inibidores da enzima conversor da angiotensina diminuem a pressão arterial dilatando as artérias. São particularmente úteis nos indivíduos brancos, nas pessoas jovens, nas que sofrem de insuficiência cardíaca, nas que doença renal crônica ou a uma doença renal pela diabetes e nos jovens que manifestam impotência como resultado de um efeito secundário produzido pela ingestão de outro fármaco. Exemplos: captopril, enalapril.
Bloqueadores da angiotensina II diminuem a pressão arterial através de um mecanismo semelhante ao dos inibidores da enzima conversor da angiotensina. Devido ao modo como atuam (mais direto), os bloqueadores da angiotensina II parece causar menos efeitos secundários. Exemplos: losartam candersartan.
Antagonistas do cálcio provocam a dilatação dos vasos sanguíneos por um mecanismo completamente diferente. São particularmente úteis nas pessoas de etnia negra, de idade avançada e nas que sofrem de angina, de certos tipos de arritmias ou de enxaqueca. Exemplos: nifedipina, anlodipina.
Fonte: Bando de Saúde